domingo, 18 de julho de 2010

Sociedade Ogboni

Sociedade secreta dos Babaláwo, que em África, teve poder superior ao poder de seus reis. Aportou, reorganizou-se e sobreviveu no Brazil, tendo liderado várias revoltas negras na Bahia, as mais conhecidas entre 1808 e 1835. Muitos de seus líderes escaparam das perseguições, refugiando-se no anonimato e no sigilo de seus fíéis. Nos conta uma muito antiga lenda que no  in´cio da criação do mundo ,Ìyámi, a grande mãe ancestral deu à luz a 16 filhos. Os dois primeiros a nascer chamavam-se Ogbo e Oni. Devido a um motivo desconhecido, estes dois, começaram a lutar entre si, trazendo todo tipo de desgraças e destruição sobre o mundo. Ìyàmi ao perceber que esta luta entre seus filhos mais velhos poderia causar a completa desintegração da terra, obrigou-os a fazer um pacto de irmandade, jurando sobre determinado amuleto sagrado que nunca mais lutariam entre si, desta forma então nascendo a primeira sociedade secreta do mundo que seria nomeada, conforme os nomes  dos irmãos unidos para sempre: Ogbo e Oni, daí o nome desta sociedade ser Ogboni. A sociedade secreta Ogboni é temida e respeitada por todos que a conhecem, sendo a segunda corte judicial em terras Yorùbá. Esta sociedade possui a finalidade de proteger a comunidade e manter o estabelecimento da ordem. A esta sociedade somente poderão ser filiadas aquelas pessoas que mantenham um comportamento ético, moral, e social exemplar, não importando seu nível intelectual, raça, procedencia ou sexo. Entre os participantes desta sociedade estão os membros ativos que realizam os ritos e cerímònias secretas: Babaláwo, demais sacerdotes e os passivos são as pessoas que participam das decisões a tomar e das festas. Desta sociedade também participam políticos, doutores, advogados, militares e anciãos da comunidade. Os Ogboni incrementam cotidianamente atrvés do estudo, ritos e cerímônias de nível místico e magístico para assim afastarem de suas consciências os defeitos e os sentimentos impuros que normalmente afetam as pessoas comuns. Durante os séculos, muitas irmandades foram criadas baseando-se nos prìncípais estatutos da Ogboni, mas realmente apenas uma pequena parte destas sociedades conseguiram a unificação e o poder social da Ogboni em terras Yorùbá. Os Ogboni falam a língua Yorùbá, mas internamente possuem um vocabulário secreto com o qual denominam divindades, objetos, animais, etc. As palavras iníciáticas deste vocabulário pertencem ao idioma mais antigo, e é o idioma  que os mais antigos sacerdotes utilizavam-se para comunicar e ativar as energias, com propósitos benéficos ou prejudiciais conforme a necessidade. Os Ogboni chamam-se a si mesmos de omo-Oduduwa, que é o Òrixá criador da terra. Sendo justamente a terra, o principal elemento de culto e força espiritual nesta sociedade . A maioria dos instrumentos sagrados da sociedade Ogboni são manufaturados com o brone, que é o símbolo da força que não se deteriora ou se corrompe.Ideais estes da própia sociedade para seus membros. Além da sociedade Ogboni existem outras que devem ser citadas por sua importância e poder, estas são: A sociedade Èfé-Gèlèdé ( que possui como principal divindade a orixá Ìyámi Òsòròngá ); A sociedade Èégúngún (que possui como principal divindade o orixá Agan); A sociedade Abikú ( que possui como principal divindade o orixá Ìkú) e outros. Como já dito, a sociedade Ogboni venera a terra, e por isso seu principal orixá chama-se Onilé(A Senhora da terra).É uma divindade feminina que representa o espírito da terra na qual os antepassados estão enterrados. Assim como Olóòrun (O Deus Supremo ) está presente em todas as coisas, através D'ele foram criados Òòsàálá(Senhor do céu e da criação) e Onilé(Senhora da terra). Na verdade a própia Ìyàmi Òsòròngá, como dona da estrutura terrestre muitas vezes se mescla ao mito de Onilé, pois ambas são consideradas forças agressivas e perigosas, assim como Oduduwá (criador da terra) que é um orixá masculino, o herói da fundação do estado Yorùbá. Na sociedade Ogboni um dos principais símbolos relacionados a terra, são uma "parede de varas" que símbolizam a sabedoria e a antiguidade, assim como a interdependência entre o homem e a mulher. De grande importância sìmbólica para Ogboni é o número 3, que representa o movimento e o dinaaamismo da criação. Nos rituais Ogboni de iniciação , é utilizada uma corda na qual são amarrados 3 caracóis no pulso do iniciante, representando o apaziguamento das forças destrutivas no mundo humano (que é tridimensional). Também se valoriza por demais o lado esquerdo, pois representa a força feminina e a potência terrestre, assim existem inúmeros rituais Ogboni de caráter iníciatico  em que os participantes colocam o punho esquerdo sobre o direito três vezes, que significa uma afirmação da matéria, da vida fisíca e da terra sobre o céu, o espírito e etc, na tridimensionalidade. Por isso ao  saudarem a terra recitam os Ogboni a seguinte frase: "O leite do peito de nossa mãe é doce " e tocam o chão por três vezes. Importante é entendermos que o número três na cultura Yorubá sempre vai representar o Poder que a tudo dinamiza, ou como diz: " É a força dinâmica que une todos os elementos para um objetivo em comum ", ou seja, o atributo da Onipotência pois "somente os anciãos conhecem o segredo do número 3, aquele que dele sabe se utilizar  é Elégbara ", Todo poderoso, um dos títulos de Èsú. O numero 3, também representa a força  Àsé " O poder que faz  todas as coisas acontecerem ". Na sociedade Ogboni a terra é venerada com o intuito de assegurar a sobrevivência, a paz, a felicidade e a estabilidade social da comunidade, assim como também a longevidade e o bem estar. 

( Texto extraído do livro Ìyàmi, o mito das mulheres pássaros, de Luís Carlos da Silva.).

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